terça-feira, 8 de setembro de 2009

As noções de contato interétnico



O autor concebe a introdução de seu ensaio com as correntes teóricas de maiores influências na antropologia brasileira, na qual a noção de fricção interétnica são basilares:

- A Britânica – Social Change Studies: na qual tem como principio o estudo das instituições em sua atuação umas sobre as outras, segundo suas respectivas naturezas, muito embora, conforme o autor, não tenha trazido para os estudos interétnico o melhor em esforços teóricos e metodológicos;

- A Francesa – Estudos de Situação: descrevem como choques raciais ou atritos entre civilizações, ainda que não examine as condições particulares, mas gerais, onde Balandier chama de situação de colônia;

- A Norte-Americana – Accuturation Studies: trazem as concepções de uma realidade racial cuja natureza é bem mais mascarada do que a de Balandier; Diz-se, que as diferenças radicais (língua/religião/costumes) são , por exemplo no Brasil, na situação do negro/branco atenuadas, porque o estado de subordinação e o preconceito não podem aparecer como fundados na natureza (alteridade), pois tais fenômenos anulam o passado colonial. Muito embora, o distanciamento das minorias – Brasil - configuram pouco peso político.

O autor se utiliza da situação de contato (Balandier - francesa), pois revela a fragilidade dos esquemas teóricos contido no trabalho de Malinowski. E da critica dos antropólogos britânicos nos aspectos sociológicos da vida tribal num esforço de livrar-se dos prejuízos culturalistas, como o desenvolvimento da abordagem funcional-estrutural deslocando da cultura para a sociedade.

Pautado no memorando do I Congresso de Antropologia de 1936 e de 1954, que para o autor trazem parâmetros para o processo de aculturação em complexo de relações entre Traços Culturais – para ele um documento fornecedor de indicadores sensíveis para a investigação etnológica, sem descuidar de aspectos sociológicos da conjunção intercultural, mas em escala, apresentou-se insuficiente.

As condições da fricção interétnica são - quando a cultura A é imposta sobre a cultura B:

1) Recrutar membros de B em posição de status;

2) Excluir os membros de B que desejem admissão as atividades em posição de status igual ou alto;

3) Obter admissão nas atividades de B em posição de status alto.

Conclusão do autor: a cultura B (a mais fraca/tribal) deve submeter-se em status baixo, aceitando às ordens e permitindo a admissão às atividades de A em status alto em sua própria atividade, ou seja, domínio completo de A sobre B.

A cultura e a sociedade, conforme Cardoso, trazem exemplos complexos e diversos que devem ser tratados com conteúdos específicos e ontológicos, sendo que sua crítica a escola norte-americana é que a visão culturalista pouco penetra nas estruturas cruciais do contato interétnico. Destarte, faz criticas aos reflexos dessas escolas nos trabalhos brasileiros, e até a pouca ou quase nula influência da escola alemã, na qual os antropólogos brasileiros só fazem repetir as idéias americanas e mesmo assim de maneira explanatória em nada analítica. Destaca o trabalho de Eduardo Galvão sobre as restrições que faz no uso do culturalismo, na analise dos Tupis, e exemplifica em seu objeto os Tenetehara, em sua forma de economia frente às influências ocidentais.

Enaltece o objetivo da antropologia, que para o autor não é apenas em descrever culturas indígenas, mas tentar alcançar à dinâmica e o funcionamento da transmissão e de mudança cultural. Convidando os antropólogos a analise dos processos de assimilação. Citando como exemplo, Darcy Ribeiro, ainda que o seu trabalho seja mais descritivo que teórico, no qual o objetivo descritivo o impediu de se aprofundar sobre o pensamento nacional e o tribal. Entretanto, qualitativo, pois aborda a experiência da interação biótica e ecológica, dizimação populacional como fatores chamados por Ribeiro de pré-aculturação. Provavelmente esse compromisso de repetir as escolas, seja qual for, possa ser o maior empecilho do desenvolvimento da antropologia brasileira, e por escrever em português ainda precisa de ‘muletas’ estrangeiras para caminhar.A preocupação especifica com os problemas de sobrevivência das populações tribais, falando conseguinte de outros aspectos da vida indígena.

A seguir, trata do imperativo da etnologia fornecer analises das circunstâncias de grupos, que paradoxalmente eram confundidos com o destino do índio em carne e osso.
O autor busca idéias diretrizes que poderiam nortear o estudo das relações entre membros das sociedades nacionais e tribais. Apontando as relações de oposição histórica e estruturalmente demonstráveis, mas contraditórias na tendência de negar uma a outra, característica do contato interétnico. A sobrevivência dessas sociedades após o contato, onde evoca as dimensões da realidade social, que melhor explicaria essa dinâmica de domínio e dominado dentro da estrutura de poder.
Cogitando as prováveis causas do contato como a progressiva perda da autonomia tribal e a ocupação de territórios indígenas, entre outros, foca a divisão de bens em detrimento a nova ordem social e econômica dentro da estrutura de poder. Quando o autor aborda a divisão social e as funções dentro da sociedade Tükúna, achei um pouco de “biologismo”.

E em seu ultimo capitulo tratou de fornecer as visões do índio e do branco, no qual o índio se vê com os “olhos do branco”, estudando as duas visões, possuindo em caráter mais descritivo com dados históricos demográficos e ecológicos

OLIVEIRA, Roberto Cardoso. Introdução: A noção de fricção interétnica. In: O índio e o branco.

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