Fonte: youtube
Este vídeo apresenta o trabalho realizado em Ghana por sua população, na qual são recebidos toneladas e toneladas de equipamentos eletrônicos. De forma que avessa as normas internacionais, causando degradação ao meio ambiente, e marginalizando da maneira como é feito o descarte de equipamentos com defeito, e ainda expondo inocentes a material altamente perigoso.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
As marcas de uma sociedade na arte
Desde os primórdios, as sociedades vêem deixando vestígios em diversas formas de arte, sejam pintura, escultura, cestaria e música; formatos tais que expressam organização clânica, genealogia, estruturas e mitologia. A arte, observada como objeto estudo, “é possível tê-lo como fenômeno estético, importante para o estudo das representatividades simbólicas, possuidora de dimensões filosóficas, reflexiva e de significado cosmológico” (Velthen apud Levy-Strauss). Nestes termos, a música aparece em “O mistério do samba”, como um campo privilegiado onde é possível perceber como aspectos do debate sobre definição da identidade brasileira, influências e seqüelas.
Nesta obra, Hermano Viana, propõe apresentar a transformação do samba, de música repreendida à identidade nacional. Processo que desde fins do século XIX e início do século XX, que passou por diversas modificações histórico-sociais, identidade que apercebida por Gilberto Freyre, poderia ter sido construída, a partir do encontro de uma roda de músicos de classes sociais e estilos diferentes, e ainda escritores como Gilberto e Sergio Buarque de Holanda. Através destes encontros se conceberia a adoção de um ritmo diferentemente ouvido pela classe erudita clássica. Demonstrando o autor assim que o samba não nasceu necessariamente no morro, mas embaixo e em área nobre.
Sob olhar freyreano, críticas abordam saudosamente, um Rio de Janeiro que há muito estava empapado de inspiração e poesia, e que emanava de qualquer esquina – tudo era motivo para uma nova composição, desavenças, amores, desilusões,... Mas que aos poucos foi modificado pelas intervenções urbanísticas, sofridas nas primeiras duas décadas. Das quais, neste período, o compositor Sinhô, compôs “A Favela vai abaixo”, com primeira gravação em 1927 – na voz de Francisco Alves -, apresentando o episódio, parodiando as ações do engenheiro que chamava-se Agache, provavelmente nas prefeituras de Pereira Passos ou ainda de Arthur Bernardes. A princípio, as aspirações por ‘modernidade’, eram na busca de equalizar as favelas e cortiços que se localizavam entre mansões de distintas famílias, e a preocupação de formar uma avenida (Atlântica) para o comércio e a alta sociedade. Empurrando assim, os pobres e negros para a zona norte. Freyre visualizou o campo privilegiado e representativo da música – identidade étnica, construção de mundos, transformação social por contatos interétnicos, em circunstância no ‘encontro’.
No cenário fundado entre ricos e pobres o samba estava com ascensão às casas de shows, cinemas entre outros espaços, que ficariam para sempre marcados pela fecundidade e de presenças marcantes que compunham, por exemplo, “A Casa da Tia Ciata” e o Cinema como o “Palais”. Casas como as das baianas “Tia Ciata e Tia Amélia – mãe de Donga”, eram redutos de bons violonistas, músicos e compositores de cor negra, que eram perseguidos no início do século XX pela polícia – o negro com viola que fosse pego andando na rua com um violão era preso. Mas que com esse relativo acesso, cantou e encantou gerações de classe média, que passaram a buscar os mestres negros para aprender a arte do violão e instrumentos de sopro, como no caso de Sebastião Cirino – componente dos oito batutas, e que morou por quatorze anos em Paris – e a moça francesa que contratou seus serviços.
Essa inspiração buscava autenticidade de estilo, e que por muitas vezes foram taxados de influenciados pelo jazz americano, como ocorreu à música “Carinhoso” (1929), do compositor Pixinguinha. A ligação dos compositores com suas obras, neste período histórico, formavam a caracterização manifestações concretas e específicas de estilos que ultrapassa as influências quer africanas, quer ciganas, quer americana. Ora, esse emblema étnico significava disfarçar a opressão do preconceito. Diferentemente do que aconteceu com os negros nos E.U.A., na qual o negro não representava influência psíquica.
E com o surgimento e inauguração das Rádios, por exemplo, Rádio Brasileira, e sua disseminação, Rádio Cultura Brasileira, Rádio Casé, etc. Assim como as gravadoras de LP’s, como a Odeon, ajudaram a divulgar e popularizaram a MPB – Música Popular Brasileira, e seus mais variados estilos: polcas, maxixes, tangos, valsas, mazurcas, schot-tishes,... Até a gravação do primeiro samba em 1917, registrado coletivamente: “Pelo Telefone”. Assim como aparecimento de compositores/cantores/músicos que influenciariam gerações: Os 8 Batutas (1921), Turunas Pernambucanos (1927), O Bando dos Tangarás (1929), entre outros ícones – Noel Rosa, Ismael Silva, João Maximo e Carlos Didier, Orlando Silva,....
Obra de suma importância cultural, histórica e antropológica no estudo da arte, de dimensão e riqueza de fatos incríveis. Abordando a importância desse estilo – o samba – conclui-se que o samba não surgiu especificamente no morro, mas na zona sul, no contato interétnico. Resgatando uma parte da rica cultura e de construções musicais magníficas, que está aos poucos, sendo deixada para trás – pois quem detém esse conhecimento pouco divulgado está morrendo -, mas que em muito tem a ensinar às futuras gerações.
VIANA, Hermano. O mistério do samba. Cap. 1 e 7. Ed. Jorge Zahar. Ed. UFRJ, 1995
Nesta obra, Hermano Viana, propõe apresentar a transformação do samba, de música repreendida à identidade nacional. Processo que desde fins do século XIX e início do século XX, que passou por diversas modificações histórico-sociais, identidade que apercebida por Gilberto Freyre, poderia ter sido construída, a partir do encontro de uma roda de músicos de classes sociais e estilos diferentes, e ainda escritores como Gilberto e Sergio Buarque de Holanda. Através destes encontros se conceberia a adoção de um ritmo diferentemente ouvido pela classe erudita clássica. Demonstrando o autor assim que o samba não nasceu necessariamente no morro, mas embaixo e em área nobre.
Sob olhar freyreano, críticas abordam saudosamente, um Rio de Janeiro que há muito estava empapado de inspiração e poesia, e que emanava de qualquer esquina – tudo era motivo para uma nova composição, desavenças, amores, desilusões,... Mas que aos poucos foi modificado pelas intervenções urbanísticas, sofridas nas primeiras duas décadas. Das quais, neste período, o compositor Sinhô, compôs “A Favela vai abaixo”, com primeira gravação em 1927 – na voz de Francisco Alves -, apresentando o episódio, parodiando as ações do engenheiro que chamava-se Agache, provavelmente nas prefeituras de Pereira Passos ou ainda de Arthur Bernardes. A princípio, as aspirações por ‘modernidade’, eram na busca de equalizar as favelas e cortiços que se localizavam entre mansões de distintas famílias, e a preocupação de formar uma avenida (Atlântica) para o comércio e a alta sociedade. Empurrando assim, os pobres e negros para a zona norte. Freyre visualizou o campo privilegiado e representativo da música – identidade étnica, construção de mundos, transformação social por contatos interétnicos, em circunstância no ‘encontro’.
No cenário fundado entre ricos e pobres o samba estava com ascensão às casas de shows, cinemas entre outros espaços, que ficariam para sempre marcados pela fecundidade e de presenças marcantes que compunham, por exemplo, “A Casa da Tia Ciata” e o Cinema como o “Palais”. Casas como as das baianas “Tia Ciata e Tia Amélia – mãe de Donga”, eram redutos de bons violonistas, músicos e compositores de cor negra, que eram perseguidos no início do século XX pela polícia – o negro com viola que fosse pego andando na rua com um violão era preso. Mas que com esse relativo acesso, cantou e encantou gerações de classe média, que passaram a buscar os mestres negros para aprender a arte do violão e instrumentos de sopro, como no caso de Sebastião Cirino – componente dos oito batutas, e que morou por quatorze anos em Paris – e a moça francesa que contratou seus serviços.
Essa inspiração buscava autenticidade de estilo, e que por muitas vezes foram taxados de influenciados pelo jazz americano, como ocorreu à música “Carinhoso” (1929), do compositor Pixinguinha. A ligação dos compositores com suas obras, neste período histórico, formavam a caracterização manifestações concretas e específicas de estilos que ultrapassa as influências quer africanas, quer ciganas, quer americana. Ora, esse emblema étnico significava disfarçar a opressão do preconceito. Diferentemente do que aconteceu com os negros nos E.U.A., na qual o negro não representava influência psíquica.
E com o surgimento e inauguração das Rádios, por exemplo, Rádio Brasileira, e sua disseminação, Rádio Cultura Brasileira, Rádio Casé, etc. Assim como as gravadoras de LP’s, como a Odeon, ajudaram a divulgar e popularizaram a MPB – Música Popular Brasileira, e seus mais variados estilos: polcas, maxixes, tangos, valsas, mazurcas, schot-tishes,... Até a gravação do primeiro samba em 1917, registrado coletivamente: “Pelo Telefone”. Assim como aparecimento de compositores/cantores/músicos que influenciariam gerações: Os 8 Batutas (1921), Turunas Pernambucanos (1927), O Bando dos Tangarás (1929), entre outros ícones – Noel Rosa, Ismael Silva, João Maximo e Carlos Didier, Orlando Silva,....
Obra de suma importância cultural, histórica e antropológica no estudo da arte, de dimensão e riqueza de fatos incríveis. Abordando a importância desse estilo – o samba – conclui-se que o samba não surgiu especificamente no morro, mas na zona sul, no contato interétnico. Resgatando uma parte da rica cultura e de construções musicais magníficas, que está aos poucos, sendo deixada para trás – pois quem detém esse conhecimento pouco divulgado está morrendo -, mas que em muito tem a ensinar às futuras gerações.
VIANA, Hermano. O mistério do samba. Cap. 1 e 7. Ed. Jorge Zahar. Ed. UFRJ, 1995
No divã: a Sociologia Brasileira

A maior dificuldade da Sociologia é a de ser encarada como ciência. Isto abre espaços para intelectuais de plantão, havidos em opiniões sobre diversos assuntos e sempre a disposição de outorgarem análises sociológicas na mídia. O que ocorre, conforme Guerreiro Ramos, é uma falta de uma ‘ortodoxia’ na metodologia do trabalho de pesquisa, facilitando o surgimento de sociólogos espontâneos – em exercício de uma sociologia espontânea ou empírica, conforme crítica de Pierre Bourdieu.
O autor relata os primeiros momentos de uma Sociologia Brasileira [ou do] Brasil, na qual seus primeiros pensadores transpunham as teorias de forma integral sem se preocupar que tais teorias foram forjadas em situações reais de seus países de origem. Para Guerreiro Ramos, surge então a necessidade de se pensar os países subdesenvolvidos embasados em sua realidade terceiro mundista. Propondo o autor, que “os critérios metodológicos, de caráter autêntico, não se elaboram por via dogmático dedutiva, mas empírico-indutiva”, de modo heteronômio, tendo-se a oportunidade de adequar a teoria a uma realidade que tenta sempre se equiparar com países de primeiro mundo, nunca com países da vizinhança latina. Logo, tendo como prática metodológica a redução sociológica, aferindo a teoria na aplicabilidade do objeto de forma que sua análise não fuja das especificidades locais. Na preocupação em buscar uma saída da falta de uma originalidade, e até da legitimação do campo de pesquisa no Brasil, com o cuidado de não burocratizar a ciência, observou que esta precisa estar e ser feita a partir de uma realidade nacional.
É certo que em determinadas circunstâncias históricas, quando da formação da USP e da URFJ, vieram para o Brasil, missões internacionais, com o objetivo de solidificar os intelectuais e seus campos de pesquisa, que para além da implantação metodológica resultou, conforme o autor, num ‘subproduto abortício’. Por isso, a critica de Guerreiro Ramos volta-se para a construção metodológica a partir de uma prática ligada a vida, se autoconhecendo e reconhecendo as estruturas nacionais e regionais – sendo que para o autor a sociologia deve ser construída obedecendo cada regionalidade, libertando destarte os especialistas de normas e metodologias inseridas nos textos estrangeiros.
Nestes termos, propõe sete teses, que são centrais na cartilha, de forma a mudar o que estava em debate no II Congresso Latino-Americano de Sociologia. Com as quais observa a aplicabilidade da ciência ligada a realidade, mas também a circunstâncias financeiras das instituições e da população, como aborda na terceira e quarta teses sobre recursos de pesquisa e nível cultura da população, com a intenção de fazer a sociologia, uma prática de resolver problemas em vias de melhorias de vida social.
Muito embora o autor tenha com essas teses riscado seu nome da historiografia sociológica brasileira, com certeza foram válidas e dignas de uma analise mais cuidadosa, ainda que estruturalmente as cátedras da época tenham sido fortemente contrárias, suas propostas ficaram marcando uma necessidades de se fazer uma sociologia de poucos para si mesmos, ou de poucos para os muitos excluídos de uma desigualdade social que se perpetua.
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