sexta-feira, 29 de maio de 2009

O Processo de formação da Cidade.





A compreensão do conceito de cidade, começa com o início da passagem histórica da indústria de manufatura para o início de uma indústria mais elaborada – com maquinários e alguma tecnologia -, que com o passar dos tempos se tornou mais elaborada. Neste período é possível visualizar a passagem do mundo rural para o urbano.

A priori pensa-se cidade, imaginando-se um povoado de casas, com um determinado número de habitantes, que esses não viveriam da agricultura, mas das atividades econômicas de mercado, etc. Entretanto, a cidade – entendendo o tipo ideal em Weber – possui muito mais categorias e significado que simplesmente estes.

A cidade é um advento da modernidade, com isso o desenvolvimento de técnicas e tecnologias para a organização dos espaços. Surgindo, posteriormente, novas classes sociais – burgueses e proletários – dentro de uma nova dinâmica.

Muito embora, Weber, analisa que esta sempre existiu, desde a Antiguidade, porém, com o advento do Iluminismo, com a qual a Igreja deixa de responder as inquietações humanas, e, o racionalismo entra em cena na história mundial, de tal forma, que o mundo nunca mais foi o mesmo. Ainda que nesse período histórico, a cidade possuísse um aglomerado de pessoas, e por ventura muros, ainda seria pouco para caracterizá-la.

No iluminismo emana o anseio pela liberdade – forças sociais que surgem num período onde não se conhecia o direito ou o contrato social – mas é nesta parte da história que marca o início de grandes revoluções, como a Revolução Industrial.

Esta cidade - pré-industrial - esta firmada em três pilares bases, conforme Weber, nos quais, irão caracterizá-la como tal: a) Possui uma administração-político-jurídica: centro do governo da cidade, essa administração gerencia a necessidade de diplomocia entre reinos. Regula o direito – onde surgi o direito civil, e de ir e vir. Organização do Estado-Nação, mediante a firmação de Estatuto e regras de convivência. Consolidação do Poder Racional-Legal, através de um corpo de servidores; b) A Economia Urbana – cidade como localidade de mercado: padronização da vida econômica entre negociantes– estabelecimento pesos e medidas, da unificação de taxas alfandegárias entre feudos, da lingua, e do tempo; c) Política Militar: Surgimento de um exército nacional, serviço militar obrigatório, guarnição de fronteiras e de interesses políticos.

A cidade ocidental, ainda possui, neste fase, funções específicas conforme grau de importância no processo de produção e de mercantilização – abertura dos portos em várias cidades costeiras, para a mercantilização de especiarias e tecidos orientais – como por exemplo, cidades de produtores, de consumidores, industrial, principesca, artesãos.

Clarificando o distanciamento entre a cidade e o campo, na qual, com o passar do tempo esta relação estabelece mais definidamente, que o campo torna-se subalterno da cidade, pela prática do associativismo e da formação de burocracia nas cidades.

O campo, em geral, é formado por um pequeno agrupamento de pessoas que produzem para a própria subsistência, estabelecem relações de comunidade. Entendendo essas relações como de compadrio, regras mais frouxas de convivência, passagem de conhecimento empírico de pai para filho, de maneira bem mais pessoal e incosciente que na cidade.

No século XX, com o avanço tecnológico generalizado, o processo produtivo e de reprodução da vida, padronizou as funções econômicas e as práticas sociais dominantes. E, por volta da década de 70 as novidades tecnológicas aceleram as descobertas da microeletrônica, transformando toda a vida do homem metropolitano. A Cidade se torna o epicentro das relações virtuais, aproximando e segmentando pessoas e sociedades.

Destarte, ao longo desse processo, estabeleceu-se o uso rígido de máquinas especificas, que desempregou (e ainda desemprega) estruturalmente, milhares de pessoas. Mas é com a deflagração da regulamentação dos sindicatos, que a sociedade civil começa a participar tacanhamente da democracia.


Hoje a cidade, não pode ser compreendida como base na oposição simplista entre automação no centro e fabricação de baixo custo na periferia, isto é, organizado em uma hierarquia de inovação e fabricação articuladas em redes globais, caracterizada pela descontinuidade geográfica, paradoxalmente formada por complexos territoriais de produção (Castells, 1999). E nessa nova configuração, que a "cidade global" é um processo que conecta serviços avançados, centros produtores e de mercados em uma rede interligada, com intensidade em diferentes escalas, dependendo da relativa importância das atividades realizadas e localizadas em diferentes espaços.

Avanços tecnológicos que propiciaram uma nova ordenação e padronização dos espaços sociais e de fluxos, na égide da "casa digital". Lugar muito confortável, que dispõe de dispositivos de ultima geração (para a classe dos dominadores/investidores) propiciando que esta casa se transforme em uma extensão da empresa. Ainda que não concentre essas atividades empresariais num lugar especifico, devido a miniaturização dos equipamentos, o escritório portátil, foi (e é) a saída para desestressar funcionários de alto escalão que passaram a sofrer muito mais de problemas psicológicos.

Destarte, não se pode compreender a cidade, como alguns fazem, a partir de uma visão ecologista – estas abordagens já não satisfazem, segundo a professora Mônica Carvalho - PUC. Precisa-se fazer uma análise diacronica e sincronica ao mesmo tempo que, na busca de uma compreensão da existência de uma ideologia, ou não, das posturas ideológica na dinâmica de ocupação.

Nestes termos, entendemos a junção do privado e o público nas reformas de valorização da cidade, que são realizados em forma projetos de valorização cultural dos espaços, e ainda, utilizando a cultura como ponto estratégico e capiturador de renda. Sobressaindo um caráter híbrido, tornando a cidade, mercadoria de troca, que se coloca em uma determinada vitrine, para que investidores possam avaliar e apostar economicamente.

No entanto, a valorização imobiliária desses espaços segrega ainda mais, pois o preço é a expulsão da população, ou ainda a demolição de patrimônios culturais e históricos. A população, que se contenta em apreender a subjetividade que esta cultura propõe, na transformação dos espaços para a categorização de “cidade global”, não se mobiliza para defender sua cultura. E ainda, nesta transição, a cidade global tem por objetivo resolver problemas urbanos, mas pelo contrário agravam-se ou multiplicam-se.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Será ler e escrever, uma libertação?




O pensar ainda nos é um grande legado, coisa que para outras espécies não foi presenteado, coisa que deixamos para a posteridade, onde muitos se destacarão em descobertas valiosas, não só per si, mas para a humanidade. E, com base no filme “Guerra do Fogo”, entende-se que estas figuras de linguagem foram se aperfeiçoando no limiar da evolução humana, da qual a necessidade de expressar um sentimento ou um pensamento gerou no homem uma inquietação. Inquietação esta, não só de expressar seus pensamentos, como também de ser ouvido e compreendido, assim compreendendo melhor o mundo que o rodeia, eternizando o homem em sua cultura através das mais variadas formas de arte.

Nas linhas de Thiago de Mello, no poema “Madrugada Camponesa”, vemos esta inquietação quando ele consegue transmitir, por meio de poema, a magia daquele que consegue ler e descobrir, o que está a sua volta. Em comparação ao mito ‘da caverna’ de Platão, o poeta, demonstra o caminhar do homem que saiu da caverna da ignorância, para o mundo do conhecimento, e foi-lhe dado à chance de contemplar tudo o que havia fora da mesma.

No decorrer do poema, o individuo está no chão e agora reina. Mas será que reina?
Certo que depois de abrir os olhos, este não está mais dependente da proteção da caverna, mas ainda assim, o chão que ele pisa pode ser a base educacional, na qual seja pertencente, a um determinado sistema, conduzido de vários intelectuais, que entre interesses mil, organiza a sociedade sob estas e aquelas influências. De certo que, escrever, expressar-se, ler e interpretar é naturalmente um trabalho, que tem que ser desenvolvido e acompanhado durante toda a caminhada escolar, num empenho contínuo de professores e alunos, na conquista e incentivo no ofício de pesquisador.

E entre outras questões, acerca-se ainda, do problema desses alunos não saberem escrever, expressar-se, ler e interpretar – que são comuns na graduação, chamamos de analfabetismo funcional – solucionando a Mestre Ivani Fazenda – escritora de “Metodologia da Pesquisa Educacional” – sugere grupos de estudos, coordenado por professores, nos quais gerariam material escrito, e seria revisto e corrigido em grupo de discusão.

O interessante aqui, não é somente sair da caverna, mas se tornar apto o suficiente para desbravar todos os textos, assim como um mateiro, que sai com seu facão para abrir mata. No caminho, a mata deixa-lhe marcas, mas ele com sua experiência sabe aproveitar o melhor dela, e dentro desta não sente necessidade alguma de ajuda, seu olhar é centrado e sabe para onde ir.

Então, conforme Kant, a verdade pode mudar mediante o posicionamento do observador, entretanto o aventureiro literário poderá desbravar todos os tipos de textos, sem se perder no caminho, olhando pelas lentes alheias, desde que se torne crítico e crie a sua própria concepção. Estando consciente de que tal prerrogativa poderá desfrutará se tomar este ou aquele direcionamento, e das conseqüências que tais poderão efetivar no seu meio ou repercutir mais longe.

Assim, não basta somente saber ler, pois seria muito fácil sair da prisão da ignorância para entrar na prisão da falta de raciocínio crítico, onde se aceita de bom grado as idéias dos outros por quaisquer outros motivos menos por análise, sendo que a leitura liberta quando se tem consciência crítica desenvolvida o suficiente, para que reflita e se construa novos pensamentos.

Dessa forma, assim como ler, escrever parte do pressuposto de que se entendeu, e ainda, tem-se a necessidade de discorrer sobre o que foi lido. Escrever, em certas alturas da caminhada parece um exercício às vezes fácil, e às vezes prazeroso. Ainda que, no geral, confunda-se com uma grande dor de parto. . .Enfim o processo criativo do escrever inicia-se no ler, entender, absolver, e tantos “er”, mas acima de tudo, está no exercício contínuo e bem aliançado com o propósito de crescer organizando idéias e no hábito e coragem de declarar sua construção critica na escrita.