segunda-feira, 8 de junho de 2009

A personalidade da Cidade


Fonte: trytomoveme.blogspot.com



Partindo da racionalidade que eclodiu no século XVIII, o século do Iluminismo, o homem passou a racionalizar e a se questionar sobre tudo o domínio exercido pela igreja desde então. Este mundo teocêntrico deixou de responder às novas questões e buscou-se a liberdade com a quebra dos elos com a Igreja, o Estado, a Moral e a economia de subsistência. Impulsionado por essa busca incessante por liberdade propiciou um distanciamento entre a cidade e o campo, que até aquele período não estavam tão claros. Fundamentando a vida com novos sensores psicológicos, em detrimento com a aplicação de novos estímulos na cidade, diferentes do que se tem no campo.

A medida que o homem saiu do campo em busca de melhores condições de vida na cidade, e conseguinte tendo contato com outro tipo de aglomeração de pessoas, novas tecnologias – assim como o acompanhamento e o desenvolvimento dessas – tornou-se partícipe da dinâmica economicista da cidade, na qual, a vida gira em torno da pergunta: quanto?

Nesta codificação econômica e monetária da produção e reprodução da vida do homem metropolitano – o que negocia com todos ao seu redor – este individuo absorve uma nova dinâmica muito mais funcional e especializada, do que a tinha acesso no campo.

O contato deste individuo com a racionalização ao extremo da vida, o envolveu com novas características opostas ao do individuo do campo. Enquanto o individuo do campo reage pelos sentimentos, numa vida ligada a uma comunidade local, onde a natureza destas relações baseiam-se na pessoalidade, na vivência com o compadrio, e as necessidades da comunidade se sobrepõe ao individuo. O camponês, diferentemente do metropolitano possui uma vida simples, com regras de vivência mais frouxa e inconsciente. E seu poder econômico está ligado a terra, na preocupação exclusiva de manter e cuidar a família, sem correr riscos.

Ao contrário do camponês, o homem metropolitano, reage pela razão, é individualista e muito competitivo, levando em consideração todas as áreas de sua vida. No seu dia-a-dia, conduz de maneira impessoal e distante dos outros que estão a sua volta. Intelectualista, respeitando sempre rígidas regras de convivência social.

Entretanto, possui duas características singulares, avessas ao camponês. A prosaicista, que o apego a tudo que é material – materialismo; e a Blase, que é a firme indiferença com o outro, parafraseando Simmel. Sua relação econômica, psicológica, está ligada ao capital-industrial-financeiro, sendo muito importante para ele a economia do “ter”, para ser reconhecido diante da sociedade, que é a do “ser”, como filosofia de vida.

A cidade madura industrial, em Weber, caracteriza-se pela racionalização da vida política e econômica na cidade. Com a qual possui uma sede administrativa-politica-jurídica. Com sua devida regulamentação através de Estatutos – surgindo o Direito Civil – entre outros direitos, que o homem da cidade passa a ter – é se tornar cidadão, e não mais um mero camponês.

A autonomização da vida moderna, ganha em cada esfera mediante a intelectualização do mundo Racional-Legal. Conseguinte, a formação dos Estados-Nação, com a padronização da língua, de uma bandeira e cultura. O surgimento do exército nacional para defesa de fronteiras, em conjunto com a política militar de diplomacia entre reinos, em obediência a interesses políticos.

Na economia, a padronização foi extrema, pois desde pesos e medidas, moedas, taxas alfandegárias e inclusive o tempo de entrega e até o trânsito de mercadorias. Esta cidade possui uma relação de subalternação com o campo, bem definida como fornecedor exclusivo de alimentos e matéria-prima.
Diferentemente da Antiguidade e a era Medieval, pois como Weber exemplifica, nesses períodos, ainda que com a existência de camponeses, o campo era uma continuidade das cidades – fazia parte. Sendo que, o domínio ainda concentrava-se nas mãos de único representante Senhorial-Ditatorial da realeza. O Estado político e o Poder Religioso eram uma só voz, destarte os reis eram coroados pela vontade de “deus”. Estruturada sob três pilares: o primeiro – Senhorial-Ditatorial; o segundo – na economia agrícola de subsistência, com comercio primitivo de trocas e o terceiro – possuindo uma política militar na pratica da guerra com objetivo sumo na conquista de novos territórios como legitimação de uma dinastia ou reino.

A cidade torna-se o epicentro das transformações na ocupação dos espaços, segundo Castells, e ainda das mentes dos metropolitanos, quanto a dinâmica da sociedade de informação do mundo contemporâneo. Porquanto a padronização da modernidade estabelece uma relação vertical nos meios de produção e reprodução da vida. Após a segunda guerra mundial, mas precisamente na década de 70, o mundo moderno entra em profunda desilusão, pois a certeza que se tinha que a tecnologia seria a solução de todos os problemas da humanidade, o século XX, trouxe uma profunda reflexão às narrativas dos Direitos Humanos, o meio ambiente, cosmopolitismo fragmentário, na qual as relações mudaram de posição de vertical para horizontal. Isto se deu, em virtude da evolução tecnológica (máquinas mais rápidas que passaram a realizar trabalhos mais complexos, ocupando o lugar de mão-de-obra especializada), pela troca do sistema Fordista/Keynesiano pelo Toyotismo, flexibilização dos trabalhos, terceirização, quarteirização (. . .), como a busca de eliminação do re-trabalho, na pós-modernidade. Assim, a exigência pela economia no processo produtivo juntamente com a concorrência globalizada, a indústria precisou se fragmentar e buscar base fabril em outros países com mão-de-obra mais barata adquirindo vantagens fiscais e insumos de produção. Fixando escritórios administrativos nos grandes centros, chão de fábrica nos países subdesenvolvidos e adequação dos dispositivos de manutenção e suporte técnico como pós-venda em locais geograficamente eficientes em todo o globo.

Nesta ciranda de avanços , da flexibilização e terceirização e quarteirização - dos serviços - , na dinamização dos processos produtivos e de reprodução da vida, o homem metropolitano passou a levar trabalho em casa e a transformar a sua casa como uma extensão da empresa. Em contrapartida a globalização transformou algumas metrópoles em conglomerados de pessoas sem uma cultura definida, ou sem uma identidade especifica. Conforme o desenvolvimento das cidades em megalópolis, os espaços estão sendo modificados e transformados na combinação de fluxos de informações em diversos lugares simultaneamente.

O cidadão do mundo ou da “cidade global” é aquele que só tem dois lugares bem definidos para ocupar: Entre os que dominam a rede de informação, com altos investimentos e uma tecnologia de ponta a serviço de interesses políticos e econômicos; ou entre os segregados com equipamentos ora de segunda ora de terceira mão, ou ainda sem nada e sem internet de forma alguma. De forma que ao apelo da cidade é a conectividade cultural no cyber espaço de fluxos de informação, nos quais se refletem na vida, na arquitetura e na simbologia dessa dinâmica virtual.

Um comentário:

  1. Tem um gosto peculiar saber que o nosso blog é fonte de outro blog :)

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