Dentre as etnografias estudadas por Marciel Mauss, as da Ilha Andamam, trazem as características dos presentes envolvidos no processo de poltlatch que são: Auto-suficientes em matéria de ferramentas; Não servem com a mesma finalidade de comércio, assim possuindo um fim moral. Produz um sentimento de amizade entre as duas pessoas envolvidas, na qual ninguém é livre para recusar. Procurando concorrencialmente, sempre superar uns aos outros, tanto na quantidade de presentes, como no valor, conseqüentemente pode transformar-se em tabu.
Nas Ilhas Melanésia e dentre outras, Mauss procurou verificar os princípios, razões e intensidades das trocas de dádivas, que os neocaledôneos, por exemplo, apresentam um sistema de festas e prestações de serviços (pilou-pilou), que caracterizam essas redes de relações, como o poltlatch. Nas Ilhas Trombriand, segundo Mauss, o kula é um tipo de poltlatch, onde objetos de uso, alimentos, festas e os indivíduos seguem um ritual, e dentro desse movimento circular regular, deixa de ser uma simples troca econômica de mercadorias úteis/escambo, sendo que o kula possui dois aspectos, o inter e o intra tribal. No inter, se começa com uma visita sem compromisso, mas com a finalidade de conquistar bons parceiro. Na intra, acontecem uma espécie “feiras e exposições”, aonde os produtos, através das linhas de parentesco, chegam ao chefe da tribo, voltando às vezes para o mesmo dono no mesmo dia, no entanto, possuindo – Kiriwina – os objetos do kula identidade própria e simbólica no ritual com aspecto religioso, no qual o ritual tem todo um texto metafórico, que proscreve o caráter dos objetos.
Na abertura, se não se tem um presente que atenda as expectativas, é dado outro de menor importância para fechar, usando artifício de sedução para se obter bons parceiros – credor/ex-doador. Nos rituais de funerais, nas colheitas – Wasi – os agricultores trocam cestos de alimentos por cestos de pesca, na sua abundância. E por uma tradição religiosa, são as dádivas oferecidas aos deuses em agradecimento à colheita e os serviços prestados pelos homens no casamento a mulheres são visto como salário destas. Em outras sociedades Melanésias, que possuem moeda – Fiji – os dentes de charlote, e na Nova Guiné o tau-tau, ambas tipo de moedas também utilizados pelo trombriandeses, sendo que dentre outros relatos (Thurnwald), essas moedas por vezes são cobres brasonados de crença importante no culto, que possuindo identidade própria, traz riquezas e boas alianças, além de atrair dignidade, honrarias e possessão de espíritos. Praticantes ainda uma espécie de penhor, ainda que não saibam emprestar nos termos como é empregado nas sociedades ocidentais.
A honra e o crédito no noroeste Americano, exprime a obrigação, que de maneira mítica, imaginária, simbólica e coletiva, a aliança que elas estabelecem num ritual solene. Dispondo-se em regime de frátrias, com descendência uterina (feminina) e masculina. Em outras tribos há sociedades secretas de homens e mulheres, (prestações simples) sendo a riqueza distribuída em forma de poltlatch. Segundo Boas, o Poltlach é o sistema de endividamento público que corresponde ao crédito e assegura bens para os filhos e órfãos, uma forma de garantir “heranças” para gerações posteriores. Baseando-se neste conceito de crédito, outros autores acreditavam ser invenção de civilizações modernas ocidentais. No entanto, o consumo e a destruição são sem limites (gastar/não conservar), como num “campeonato”, para fazer o rival calar. Logo, o prestígio vem em detrimento ao mana – riqueza, autoridade (Polinésia), ou seja, a quem mais esbanje riqueza e proporcione a outros bens de significação pessoal. Assim, os homens souberam empenhar seu nome e sua honra antes mesmo de saberem assinar.
O Poltlach possui diversas dimensões que são religiosas, mitológicos, xamanísticos, econômicos, fenômeno morfológico social. Além de ser um reconhecimento militar, jurídico, religioso em todos os sentidos, conforme as formas de poltlatch no noroeste americano, são descritos estes tipos: a) entre fratrias e famílias dos chefes (únicos em causa) - Tlingit; b) fratrias, clãs, chefes e famílias (o mesmo); c) chefes que se enfrentam por clãs - Tsimshian; d) Chefes e de confrarias (Kwakiult). A essência do poltlach é Dar, por si e pelos membros de sua família, elevando o prestígio seu e de sua família no demonstrar riquezas, distribuindo-as, colocando os outros a sombra de seu nome. Convidando quem tem posse, consente e vem assistir a festa do poltlatch, se não convidar as conseqüências são funestas. O não Receber é manifestar que se teme retribuir, e conseguinte perder o peso de seu nome.
Na tribo Kwakiult, depois que se é reconhecida na hierarquia de vitórias no poltlatch pode-se recusar sem guerras, ainda assim é feito um ritual de recusa. Retribuir é todo o poltlatch (imperativo), que deve ser com juros de 30% a 100%, em cima do que foi recebido, sob sanção de se tornar escravo.
Há virtudes nos objetos que figuram as dádivas onde compreende duas dimensões os objetos de consumo e a partilha em comum, no qual esses objetos de venda e coisas preciosas de família, que podem representar a identidade da tribo diante um deus totêmico e herança de família.
O princípio de troca-dádiva deve ter sido nas sociedades que ultrapassaram a fase da prestação total, entretanto, ainda não chegaram ainda ao contrato individual puro e ainda não possuem noção mercadológica do dinheiro, como nas civilizações ocidentais. Muito embora, possamos ver o dom nas relações ocidentais, como casamento, relações familiares, e sobre tudo os meios sociais nos quais estamos inseridos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário