sábado, 2 de janeiro de 2010

A família na modernidade






Em entrevista a Revista Veja, o psicanalista belga Jean-Pierre Lebrun, estudioso das relações familiares, que esteve no Rio de Janeiro para participar do 3. Encontro Franco-Brasileiro de Psicanálise e Direito. Abordou em sua entrevista pontos importantes sobre a estrutura familiar dos últimos vinte anos, como: Criação de filhos – “ensine-os a errar”, Autoridade dos pais nesse novo contexto, A transformação do homem através do processo de humanização e Drogas: apelo, tratamento/especificidade.
Nos últimos vinte anos a estrutura familiar têm se apresentado veementemente diferenciada que a quarenta anos. Abrem-se espaços cada vez mais de gênero, e as discussões intensificam quando se fala de família. O autoritarismo paternalista modifica-se para uma estrutura em forma de rede que segundo Lebrun: “É uma conseqüência desse novo arranjo social, em que os papéis estão organizados de forma mais horizontal”. Sendo que agora, não é que os pais tenham perdido a autoridade em virtude dessa nova organização, mas que conforme Lebrun: “E isso não é necessariamente algo negativo, desde que fique claro que, depois de negociar, discutir, trocar idéias, quem decide são os pais”.
Embora tenha ocorrido mudanças estruturais, os filhos ainda possuem os encargos de realizarem os sonhos de seus pais, retoma Lebrun: “As dificuldades para impor limites se acentuaram, causando grande apreensão nas pessoas quanto ao futuro de seus filhos”, isso não é bom. Para o Dr. Lebrun, não nascemos humanos, mas tornarmo-nos. Entretanto, Durkheim já ressaltava a diferença entre pessoa e individuo, que cristalizada na fala de Lebrun, o processo de humanização dura cerca de 25 (vinte e cinco) anos. Entretanto, pelos percalços, isto dependerá dos pais de como ensinam a seus filhos a administrar o fracasso. Sabendo que nem sempre teremos o paraíso a nossa disposição, quando aprendemos a lhe dar com o fracasso, o individuo torna-se mais humano e sociável, no entanto quando pais boicotam esse processo, alguns jovens tendem a buscar nas drogas alívio para qualquer tipo de dor.
Assim, o que para alguns, conforme o Dr. Lebrun: “É mais fácil tomar por exemplo ritalina para hiperatividade, do que fazer todo um trabalho de aprender a suportar a condição humana”. O processo que embora o Dr. Lebrun tenha indicado que os pais estejam intervindo, existem outras hipóteses: o consumismo desenfreado incentivado pelo poder de mídia de massa, em virtude da mola propulsora da indústria de produzir cada vez mais. Se há necessidades por satisfazer, há produção em escala. E quanto mais necessidades, mais produção, num efeito de escala exponencial, que atinge através da globalização, o mundo.

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