sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Professor: Sujeito Transformador



Caminhando pelas ruas do centro da cidade vemos tantos olhares tristes, desesperanças em pequenos rostos agredidos pela vida – crianças de rua - que dormem nas praças, nos cantos, nos bancos, cheirando cola, sonhando com uma vida melhor. Onde estaram seus pais? Serão domésticas, pedreiros, aventureiros da vida, do morro, da leste... Enquanto muitos garantem um pedaço de pão com a limpeza do pára-brisa, outros reclamam pelo brinquedo do ano passado, pela roupa fora de moda, pela falta do computador.

O que fazer para mudar?

Muitos pensam: vou deixar tudo como está pra que me preocupar!

Importante é o meu, o eu e já!

Assim, os imediatismos do sistema político tem sido um fator de grande contribuição para este quadro de deteriorização da civilização humana, mas tudo é aparente, e por isso os olhos já não os vêem mais, como se fizessem parte de uma paisagem, eles parecem cinza.

Contrariando essa situação temos as propagandas, que anunciam de tudo como um tudo que precisamos, ou ainda pretenciosamente precisamos - a cultura do ter: sou porque possuo isso ou aquilo, entre outros vários que poderíamos citar como a educação, da ‘educação’, e alguns pensam: ‘para eu ter ou ser doutor é preciso estudar’. Ainda que anunciem um mundo longe de ser o que conhecemos nos traz a notícia de sonhos que passamos querer. Logo, há a “educação” dos seres urbanus, pois se distingue da cidade, e daqueles que moram nas zonas mais afastadas dos centros urbanos. Ora, lá é preciso acordar bem cedo, pegar sua canoa e ir remando até chegar, muito cansado na escola, logo cedo a professora toma a lição, e de pronto o que chega não é a compreensão, mas a fome que assola pequenos corpos frágeis e por muito desnudo dos equipamentos da cidade e do estudo. E alguns acham que “não tem cabeça pra isso...”.
Todo esse quadro é conseqüência do enraizamento do passado, onde a era da “Belle époque” fixou nas mentes que estudo é pra gente rica, e não pra gente pobre.

Ainda que vozes clamem no deserto como a de Paulo Freire: “... O esforço de reformulação de nosso agir educativo, no sentido da autêntica democracia”, são como chuva numa floresta incendiada, não são o suficiente para apagar o fogo, mas já é um grande passo para a democracia. Termo esse tão usado, mas tão pouco difundido, nas mentes daqueles que realmente precisam saber. Nos nossos dias, é comum vê-los, quase nus, roubando, matando, contudo ainda pode ser feito alguma coisa – esclarecê-los.

A educação precisa estar para todos, mas num objetivo de formar mentes criativas, inovadoras, e não uma educação de palavras ocas do verbalismo inteligente, que ressoa por qualquer lugar, é bonita de se ouvir, mas de pouca eficácia, é excludente. Precisa ser envolvente, de fácil acesso, que roube essas mentes que estão tão voltadas para o crime, para o tormento da fome, e como dizia Marx: “o homem só alcança uma consciência social quando suas necessidades básicas são supridas”. Então comer será prioridade maior que educação? Não, os dois andam juntos!

Então para transformar o quadro desolador da humanidade, não podemos mais aceitar a política do ‘pão e circo’ para todos, mas a política social da educação para a formação básica de uma maioria faminta que não só de pão, mas de toda palavra vinda dos livros. Há ainda a necessidade de uma Revolução da “conscientização do patrão, que para não ser assaltado no sinal, precisa estender a mão, dando uma oportunidade para aquele que, impunha a arma, de ser alguém numa sociedade civilizadamente democrática. Logo, sem dúvida a conscientização, daqueles que não querem seus filhos cheirando droga num canto de esquina, ou nas capas dos jornais policiais” (Cristóvão Buarque). Mas que ainda há esperanças de mudar a herança da barbárie, de um país a caminho do desenvolvimento ou será subdesenvolvido, ou ainda emergente? Tem diferença? Vamos ao que importa: Contribuir para que surjam novos cidadãos conscientes, e não perpetuar o legado da miséria e da ignorância, mas fazer valer o que tanto se lutou na década de 80 – a Constituição Federal; para um Brasil, onde todos poderão ter enfim, orgulho de sermos chamados ‘filhos desta pátria gentil, pátria amada Brasil’. Por isso a importância da educação para todos [...], para um processo civilizatório e civilizador do metropolitano em seu contexto social integral. E da herança privilegiada que um ator nessa cena possui: O santo ofício de ensinar o educando.

Parabéns Professor, pelo seu dia! Você é o precursor de uma nova e esperançosa geração.

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