terça-feira, 19 de maio de 2009

Será ler e escrever, uma libertação?




O pensar ainda nos é um grande legado, coisa que para outras espécies não foi presenteado, coisa que deixamos para a posteridade, onde muitos se destacarão em descobertas valiosas, não só per si, mas para a humanidade. E, com base no filme “Guerra do Fogo”, entende-se que estas figuras de linguagem foram se aperfeiçoando no limiar da evolução humana, da qual a necessidade de expressar um sentimento ou um pensamento gerou no homem uma inquietação. Inquietação esta, não só de expressar seus pensamentos, como também de ser ouvido e compreendido, assim compreendendo melhor o mundo que o rodeia, eternizando o homem em sua cultura através das mais variadas formas de arte.

Nas linhas de Thiago de Mello, no poema “Madrugada Camponesa”, vemos esta inquietação quando ele consegue transmitir, por meio de poema, a magia daquele que consegue ler e descobrir, o que está a sua volta. Em comparação ao mito ‘da caverna’ de Platão, o poeta, demonstra o caminhar do homem que saiu da caverna da ignorância, para o mundo do conhecimento, e foi-lhe dado à chance de contemplar tudo o que havia fora da mesma.

No decorrer do poema, o individuo está no chão e agora reina. Mas será que reina?
Certo que depois de abrir os olhos, este não está mais dependente da proteção da caverna, mas ainda assim, o chão que ele pisa pode ser a base educacional, na qual seja pertencente, a um determinado sistema, conduzido de vários intelectuais, que entre interesses mil, organiza a sociedade sob estas e aquelas influências. De certo que, escrever, expressar-se, ler e interpretar é naturalmente um trabalho, que tem que ser desenvolvido e acompanhado durante toda a caminhada escolar, num empenho contínuo de professores e alunos, na conquista e incentivo no ofício de pesquisador.

E entre outras questões, acerca-se ainda, do problema desses alunos não saberem escrever, expressar-se, ler e interpretar – que são comuns na graduação, chamamos de analfabetismo funcional – solucionando a Mestre Ivani Fazenda – escritora de “Metodologia da Pesquisa Educacional” – sugere grupos de estudos, coordenado por professores, nos quais gerariam material escrito, e seria revisto e corrigido em grupo de discusão.

O interessante aqui, não é somente sair da caverna, mas se tornar apto o suficiente para desbravar todos os textos, assim como um mateiro, que sai com seu facão para abrir mata. No caminho, a mata deixa-lhe marcas, mas ele com sua experiência sabe aproveitar o melhor dela, e dentro desta não sente necessidade alguma de ajuda, seu olhar é centrado e sabe para onde ir.

Então, conforme Kant, a verdade pode mudar mediante o posicionamento do observador, entretanto o aventureiro literário poderá desbravar todos os tipos de textos, sem se perder no caminho, olhando pelas lentes alheias, desde que se torne crítico e crie a sua própria concepção. Estando consciente de que tal prerrogativa poderá desfrutará se tomar este ou aquele direcionamento, e das conseqüências que tais poderão efetivar no seu meio ou repercutir mais longe.

Assim, não basta somente saber ler, pois seria muito fácil sair da prisão da ignorância para entrar na prisão da falta de raciocínio crítico, onde se aceita de bom grado as idéias dos outros por quaisquer outros motivos menos por análise, sendo que a leitura liberta quando se tem consciência crítica desenvolvida o suficiente, para que reflita e se construa novos pensamentos.

Dessa forma, assim como ler, escrever parte do pressuposto de que se entendeu, e ainda, tem-se a necessidade de discorrer sobre o que foi lido. Escrever, em certas alturas da caminhada parece um exercício às vezes fácil, e às vezes prazeroso. Ainda que, no geral, confunda-se com uma grande dor de parto. . .Enfim o processo criativo do escrever inicia-se no ler, entender, absolver, e tantos “er”, mas acima de tudo, está no exercício contínuo e bem aliançado com o propósito de crescer organizando idéias e no hábito e coragem de declarar sua construção critica na escrita.

2 comentários:

  1. Lú...
    Parabéns pelo blog, estou aproveitando para explorá-lo.
    Quanto ao seu texto, a verdeira revolução vem pela transformação da mente e não apenas pelo conhecimento adquirido que, embora pareçam que são uma só coisa, na verdade são bem distintos. A luz da Bíblia, vemos em Romanos 12: 1-2 "rogo-vos pois irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus que é o vosso culto racional e não vos conformeis com este século, mas, transformai-o pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus" quando o Apóstolo Paulo nos convida não apenas a aquisição do saber, mas a renovação do nossa mente para que possamos experimentar da verdadeira transformação pessoal e tambem sermos instrumentos de transformação na vida de outros, amém.

    Beijo,

    Clóvis

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  2. Parabéns pela sua iniciativa, afinal de conta um cientista social precisa saber escrever bem, e esse pequeno ensaio ajuda a refletir o pensamento.
    Parabéns.

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